Controle de Qualidade Industrial: consistência em larga escala!
Controle de Qualidade Industrial: consistência em larga escala!
O Controle de Qualidade Industrial é o berço de toda e qualquer variação da Qualidade. Por isso, e não à toa, muita gente ainda acha que essa é uma área nichada e específica das fábricas e indústrias. E mesmo assim, hoje, há uma grande quantidade de técnicas, métodos e ferramentas que foram desenvolvidos com foco em escritórios, comércios, ramo hoteleiro, área da saúde e por aí vai. O que mostra a importância da Qualidade!
De forma geral, podemos dizer também que o Controle de Qualidade é, em essência, um conjunto de práticas operacionais voltadas para garantir que um produto atenda aos requisitos especificados. Entretanto, diferente de uma visão mais ampla de Gestão da Qualidade, na indústria isso ganha um peso a mais. Aqui, o foco no chão de fábrica, no processo produtivo e nas características tangíveis do produto são ainda mais robustas, elas são a lei!
Hoje, vamos entender um pouco as especificidades disso tudo, procurando compreender o que muda de um controle mais “geral” para algo focado exclusivamente na indústria. Até o fim deste artigo, vamos entender por que o Controle de Qualidade é tão importante na indústria e desmentir um erro crasso da área. Então, bora lá? 😁
O grande problema da variabilidade
Imagine que você faz arroz todos os dias. Vez ou outra, ele vai ficar um pouco salgado ou insosso, certo? Isso acontece porque seu processo de “fazimento de arroz” possui certa variabilidade. Ou seja, ele varia de acordo com você e seu estado de espírito. Talvez alguém na sua casa reclame um pouco, mas tudo certo.
Agora, imagine uma empresa que industrializa 1 milhão de embalagens de arroz POR DIA. O que acontece se esse processo variar muito e as embalagens não forem seguras? Muita gente pode ter problemas sérios com isso. E é aqui que o Controle de Qualidade Industrial brilha. Afinal, ele precisa GARANTIR que o resultado dos processos será o mais estável possível!
Em outras áreas, a Qualidade depende da percepção subjetiva das pessoas. Mas na indústria não, aqui a Qualidade não é abstrata. Ela se materializa em coisas como:
- dimensões – até mesmo milímetros importam, e muito;
- propriedades físicas – resistência, dureza, peso;
- características químicas – composição, pureza, ausência de contaminação;
- acabamento – superfície, pintura, montagem;
- e por aí vai!
O Controle de Qualidade Industrial precisa compreender o processo minuciosamente, mesmo em fatores que pareçam preciosismo. Afinal, em larga escala de produção, um mísero milímetro de produto errado pode se transformar em metros, quilômetros, de porcarias e não conformidades!
O foco na inspeção final: um erro crasso!
Nos primórdios da Qualidade, quando tudo surgiu em meados da 1ª Revolução Industrial, as pessoas ainda não entendiam muito bem os processos produtivos. Assim, naquela época, o foco acabava ficando apenas no resultado final. Para saber se algo “tinha Qualidade“, inspecionávamos apenas o produto final.
Ainda hoje, o Controle de Qualidade Industrial (CQI) carrega resquícios desse nosso, digamos, começo conturbado. Portanto, é um erro comum associar controle de qualidade apenas à inspeção final. Entretanto, na indústria moderna, isso é no mínimo insuficiente.
Hoje, um bom CQI leva em consideração toda a Cadeia de Valor, pois compreendemos que o que compramos afeta como produzimos. Algo que, por sua vez, afeta direta e indiretamente o resultado final dos processos. Assim, por exemplo, se as matérias-primas e insumos estiverem fora dos parâmetros, o produto final provavelmente será não conforme.
Para garantir que toda essa cadeia funcione, o Controle de Qualidade Industrial moderno acontece em três grandes momentos:
- Recebimento: aqui, checamos a conformidade com especificações técnicas de tudo que recebemos e será usado no processo produtivo. Para isso, recorremos à inspeção visual, ensaios laboratoriais (quando aplicável), testes e tudo que for necessário. Além disso, esse estágio alimenta a Avaliação de Fornecedores, fazendo com que a Qualidade comece fora da fábrica;
- Processo: durante a fabricação, monitoramos continuamente variáveis críticas, como temperatura, pressão, torque, tempo de ciclo e etc. Para isso, determinamos inspeções em pontos estratégicos e usamos ferramentas estatísticas como o CEP (Controle Estatístico do Processo);
- Produto final: só agora recorremos à Inspeção Final, que pode ser visual, dimensional, funcional, entre outras. Além disso, podemos recorrer a testes de desempenho, por exemplo. Disso, resulta a liberação ou bloqueio dos lotes que produzimos.
Ferramentas (físicas ou não) do Controle de Qualidade Industrial
Outra especificidade interessante em relação ao Controle de Qualidade Industrial está nas ferramentas que usamos. Digo isso porque algumas das Ferramentas da Qualidade existentes só fazem sentido nesse contexto.
Imagine que você tem uma produção artesanal, ferramentas como o CEP, o Histograma ou o Diagrama de Dispersão, muito provavelmente, não vão ser uteis. Elas precisam de grandes volumes de dados, algo que só a indústria em larga escapa pode proporcionar. E isso é bastante interessante, porque essas ferramentas podem complementar outras, como o Ishikawa ou o 5 Porquês.
Além disso, a necessidade de instrumentos de medição ganha muita importância aqui. Assim, é comum precisar de paquímetros, micrômetros, rugosímetros e por aí vai. Afinal, sem um bom processo metrológico, mesmo as melhores matérias-primas podem ser mal processadas e, assim, tornarem-se não conformidades!
Da mesma forma, outras ferramentas específicas foram desenvolvidas apenas para atuar na indústria, tal qual os Poka-Yokes, por exemplo. Essa ferramenta ajuda a evitar acidentes e reforça a conformidade quando nós, humanos, falhamos. Também é interessante pensar que o Poka-Yoke extrapolou a indústria, ajudando outras áreas da sociedade. Sabe quando seu carro apita que você está sem cinto? Então, isso é um dispositivo Poka-Yoke, legal né?
Controle de Qualidade Industrial: construindo um futuro melhor!
Nós, Profissionais da Qualidade, geralmente somos encarados como “os chatos da empresa”. A gente cobra o “fazer o certo”, cobra os procedimentos e faz de tudo para assegurar a Qualidade! Mas pra ser sincero, eu tenho orgulho de “ser chato”!
Digo isso porque a gente não cobra bobagem, não questiona à toa. Tudo que fazemos está pautado em anos e anos de pesquisas, ferramentas e trabalho. Em um legado que nos permitiu evoluir a produção, as quantidades e a qualidade daquilo que fabricamos. Assim, seja em qual área for, nós só tentamos fazer melhor a cada dia. O que queremos é que TODO MUNDO GANHE! Quando a empresa produz mais e melhor:
- a sociedade ganha melhores preços e produtos;
- a empresa conquista mais lucros;
- os colaboradores podem ser melhor remunerados;
- os acionistas recebem seu retorno do investimento;
- as pessoas, como um todo, ganham mais oportunidades.
É nisso que eu acredito e é para isso que eu trabalho há quase 10 anos na Qualidade! Assim, o que chamamos de Controle de Qualidade Industrial, pra mim, é o projeto de um mundo melhor para todos nós que nele vivemos, e para as gerações que estão por vir! 🤘🏻😎
RETRABALHO, PERDA e VARIAÇÃO: o custo invisível da ‘NÃO QUALIDADE’ [Webinar]
Se você gostou desse assunto e quer se aprofundar no tema, tenho um convite especial! No dia 25 de março, às 14h, vamos ter um webinar especial ao vivo e gratuito! Vamos falar sobre os impactos reais da não qualidade no dia a dia da produção!
A Lidiane Friderichs vai trazer uma visão prática sobre os desafios da Qualidade, afinal, convenhamos, o custo da não qualidade quase nunca aparece em um único indicador. Ele se espalha pela produção inteira e, muitas vezes, nem mesmo o percebemos! Um retrabalho aqui, uma perda ali, um ajuste no processo acolá, tudo isso para compensar uma variação. Mas e quanto isso custou?
No webinar vamos ver:
- Por que o custo da não qualidade muitas vezes passa despercebido nos indicadores;
- Como retrabalho, perdas e variações impactam a eficiência da produção;
- Como identificar sinais de não qualidade no dia a dia da operação;
- Aprendizados práticos de quem atua há mais de 20 anos na Qualidade industrial.
Então marca na sua agente e clica no botão abaixo para fazer sua inscrição, vamos discutir como a não qualidade impacta a produção na prática e compartilhar aprendizados de quem vive os desafios da Qualidade na indústria! Te esperamos!






